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A Europa e sua natureza notável

Quando meus companheiros de viagem e eu acordamos em nossa cabana aconchegante, empoleirada no topo de uma colina com vista para o verde denso dos pinheiros, abetos e carvalhos, fui remetido de volta ao momento em que li uma frase que me inspirou a organizar esta viagem à Europa: “Só os lugares que você visitou a pé são lugares onde você realmente esteve”. A frase foi escrita pelo escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe e quando a li, senti de repente um imenso desejo de visitar o continente natal de Goethe da maneira que ele acreditava ser a melhor: a pé. Embora eu adore viajar para visitar cidades, sou na verdade um amante da natureza, o que significa que, desde o início, estava ciente de que qualquer viagem ao continente europeu seria focada principalmente em caminhar, acampar e comer em meio à natureza. Após meses de planejamento, eu e alguns amigos aterrissamos na França para começar uma longa caminhada pelos Pirineus.

Acampando à beira de um lago azul cristalino nos Pirineus
Acampando à beira de um lago azul cristalino nos Pirineus

Naquela manhã, quando acordei com as palavras de Goethe na minha mente, já estávamos caminhando há vários dias pelos Pirineus atravessando a Rota Alta dos Pirineus, ou Haute Route Pyrénées, que se estende pela cordilheira por cerca de 800 quilômetros, ao longo da fronteira franco-espanhola. Parte da diversão dessa longa caminhada foi o planejamento: vasculhar os mapas, marcar as cabanas onde iríamos dormir, tomar banho e carregar nossos dispositivos, além de escolher as vistas mais deslumbrantes. Outra coisa que verificamos com antecedência — algo que eu recomendaria a qualquer outra pessoa que esteja pensando em fazer uma caminhada desse tipo na Europa — foi a certeza de que todos éramos tecnicamente qualificados, o suficiente para o terreno que iríamos encontrar. Por exemplo, verificamos se a nossa rota não incluiria nenhuma escalada, incluindo rochas, ou trechos de geleira — terrenos que requerem habilidades e equipamentos específicos e alteram o perfil de risco da caminhada. Para nós, uma rota sem necessidade de habilidades avançadas era o ideal.

A aldeia de Torla, na Espanha.
A aldeia de Torla, na Espanha.

Embora o ponto de entrada da nossa caminhada fosse um pouco longe do aeroporto onde aterrissamos (na verdade, alguns de nós chegamos na Espanha e outros na França), a excelente rede ferroviária nessa parte da Europa nos permitiu chegar lá com rapidez e conforto. Ficamos surpresos ao perceber que, de fato, praticamente cada vila e cidadezinha tem sua própria estação de trem, além de ônibus que viajam frequentemente para locais rurais nas redondezas! Desde o início da caminhada, nos deparamos com algumas das paisagens naturais mais deslumbrantes que jamais tínhamos visto. Das montanhas escarpadas — com rochedos, arbustos e lindas extensões de relva até onde a vista conseguia alcançar — até os pequenos vales verdejantes, onde altas árvores se erguiam muito acima de nós, não nos cansávamos de nos maravilhar. Encontramos pequenos riachos, córregos balbuciantes e pequenos lagos ao longo do caminho, muitas vezes de um profundo tom de azul que criava um belo contraste com a folhagem verde ao nosso redor. Como tínhamos lido com antecedência, vimos até mesmo ovelhas e gado pastando nas montanhas. Os animais certamente pertenciam a um fazendeiro nas proximidades, mas era incrível vê-los mastigando pacificamente no terreno montanhoso, respirando o mesmo ar fresco e puro que enchia nossos pulmões.

Quiche Lorraine, uma torta francesa tradicional.
Quiche Lorraine, uma torta francesa tradicional.

A maior parte de nossos dias começava com o café da manhã, que incluía uma xícara de café (imperdível!) e um prato quente substancial, que nos daria energia para caminhar durante o dia quase inteiro. Passando da metade da nossa jornada e um pouco cansados dos alimentos enlatados, secos ou desidratados dos quais vínhamos dependendo até ali, fizemos um pequeno desvio para a pequena aldeiazinha de Torla, que fica do lado espanhol da fronteira — não se preocupe, isso não tem o menor problema porque a União Europeia não impõe fronteiras físicas dentro de seus limites (e os dois países usam euros, então não é preciso converter o câmbio). Em Torla, os moradores nos receberam de uma forma incrivelmente calorosa, o que me surpreendeu positivamente porque tenho certeza de que parecíamos um pouco esfarrapados e sujos após caminhar e acampar por tantos dias seguidos, só nos lavando quando encontrávamos um rio ou lago ao longo do caminho. Chegando à aldeia, tiramos nossas mochilas pesadas e nos sentamos em um café com vista para uma bela praça. O sol saiu e um garçom nos trouxe uma limonada refrescante e uma porção da comida local, que nos pareceu maravilhosamente saborosa depois das nossas refeições no acampamento. Ponderando se deveríamos perguntar aos moradores se havia alguma vista que não poderíamos perder enquanto estávamos na cidade, abordamos algumas pessoas no nosso café e uma delas nos explicou que tínhamos que visitar o Vale de Ordesa, que descreveu como radicalmente belo — pelo menos foi isso que pensamos que ela tinha dito, já que nenhum de nós é fluente em espanhol. Levamos algumas horas para chegar ao vale, mas valeu a pena o esforço. Quando chegamos à beira do penhasco, com uma vista de tirar o fôlego para a área plana lá embaixo e o ambiente natural que ela continha, dei um profundo suspiro de satisfação. Goethe estava certo. Visitar um lugar a pé é a única maneira de fazê-lo. Passando o Vale de Ordesa voltamos à nossa trilha e seguimos em frente, criando memórias e gravando na mente alguns dos locais mais lindos que já tínhamos visto, um verdadeiro milagre da natureza.

Ovelhas pastando, uma visão frequente nos Pirineus.
Ovelhas pastando, uma visão frequente nos Pirineus.

Terminamos nossa viagem com um bem merecido descanso e relaxamento na pousada ecológica de uma pequena cidade francesa. Após muitos dias na trilha, tomar um café quente e comer folhados frescos sentado em uma espreguiçadeira confortável era a versão mais próxima de um paraíso que eu poderia imaginar. Além disso, meus companheiros e eu encontramos vários moradores locais interessantes enquanto almoçávamos em um restaurante que o nosso anfitrião nos recomendou. Um deles até se ofereceu para nos mostrar as cabras que ele cria para fazer queijo! Foi uma maneira perfeita de terminar uma viagem inesquecível.

Agora que estou de volta em casa, às vezes me pego sonhando com essa caminhada. Quando a vida voltar ao normal, pretendo planejar outra longa caminhada pela Europa na primeira oportunidade. Ouvi dizer que a Croácia abriga alguns dos melhores ambientes do mundo para amantes da natureza, além de vinho e queijo!

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